domingo, 10 de fevereiro de 2008

RETOMANDO A LUTA !!!!

Amigos:

Nasci e cresci dentro de uma família que sempre envolveu-se em esforços democráticos.

Meu avô (em Minas Gerais), além de Jornalista e Poeta era um homem que dentro desses dois ofícios, sempre fez política não partidária. O seu real partido eram as aflições do povo de seu País, mais precisamente no Interior Brasil.

As contestações de OCTÁVIO ANTUNES , fluíam em prosa ou em verso. Podiam ser - e muitas vezes foram - cantadas em roda de viola.


Vovô Octávio era fisicamente bastante envelhecido (os avôs hoje em dia são muito jovens). Ao casar-se com minha avó, era um homem com mais de cinqüenta anos, portanto, minhas lembranças de conversas com ele na minha infância, são as de um senhor idoso, com idéias que iam muito além de seu tempo.

Ficava embevecida em observar que ao cair da tarde, invariavelmente apareciam pessoas para conversar com “seu Octávio” - para um “aconselhamento” - sobre algum problema familiar, sobre demarcação de terras ou seu cultivo, ou simplesmente para comentar os últimos acontecimentos políticos.


E todas as atitudes deste homem, das mais amenas as mais contestadoras, sempre foram políticas.


Até mesmo quando contava “causos” para os mais humildes: alguns adultos analfabetos que não liam o Jornal, sempre o fundo moral do “causo” era o aprimoramento do homem como cidadão. Principalmente para os não privilegiados, que costumeiramente eram “usados” pela falta de escrúpulos de muitos.


Sim! Política que todos nós de alguma forma fazemos ou deveríamos fazer: lutar por nossos direitos e pelos daqueles que de alguma forma não tem acesso à divulgação de idéias, ou simplesmente não compreendem o quanto é importante este posicionamento.

Quando adolescente, defendi a concepção de um Brasil mais justo, mesmo sabendo que isso poderia custar reprovação no Colégio, dispensa do time de Volley Ball em que jogava (o Clube era basicamente composto na época por Militares das Forças Armadas moradores da Tijuca).

E até mesmo, perda de “pretensos” namorados, que de alguma forma preferiam não se envolver com uma menina que além de gostar de Bailes, inflamava-se ao falar sobre o Regime de Exceção, sobre as músicas de Chico Buarque, e sobre o exílio voluntário de “cabeças pensantes”, oprimidas pelo momento político. Os rapazes não tinham muita paciência, e os que se portavam com o mesmo ideal político, estavam longe ou eram muito mais velhos ou compromissados (eu era engajada, mas não era cega).


Contudo, jamais poderia fugir de “fincar posições”, na medida em que minha mãe -uma mulher que mesmo submissa ao marido (não pode trabalhar fora, pois meu pai não admitia), jamais deixou de pensar, expressar suas opiniões e sistematicamente plantar em seus filhos, os ideais de liberdade de expressão, de luta por direitos e sempre conservando uma característica talvez herdada de meu avô: sinceridade sem magoar ou denegrir.

Ela era totalmente verdadeira em seus atos e falas, porém sem ofender ou insultar alguém que se opusesse às suas opiniões.


Casei e procurei dentro do possível acompanhar meu marido em suas lutas salariais, em um tempo em que poucas mulheres de Praças ou Oficiais do CBMERJ, tomavam posições neste sentido. Não vai aqui nenhuma crítica - cada uma deveria ter seus problemas - simplesmente faço uma constatação.

Sem querer ser injusta: na época de meu marido no Serviço Ativo, éramos quatro ou cinco mulheres que claramente tomávamos posições no Corpo de Bombeiros, por melhores salários. Inclusive de maneira ativa, quando nossos maridos foram detidos por reivindicar aumentos. Geraldo, por tudo que vivemos, segue comigo: “rente que nem pão quente!”.

Nasceram meus filhos, e procurei sempre exemplificar e conversar com eles temas sobre desigualdades sociais, luta por nossos direitos, e naturalmente sobre nossos deveres. Tentei plantar em minha família, o que minha mãe houvera feito enquanto nos educava.

Porém, deixo a pretensão de lado... Não creio que cada um a quem falamos ou passamos nossas vivências, fique “impregnado” por nosso discurso... Não!

Cada pessoa recebe o que passamos à sua maneira: uns captam e colocam em prática. Outros não se interessam, até porque qualquer um de nós deve usar o seu LIVRE ARBÍTRIO. Jamais tive a pretensão que um filho, sobrinho ou amigo pensasse exatamente igual a mim. Lógico que caso ocorresse, ficaria bastante orgulhosa!

Camila - minha Mimi - com tão pouco tempo de vida, conseguiu liderar e reivindicar em várias ocasiões de sua vida: no Colégio, no Ballet, e em vários momentos de seus 19 anos.

Acredito que na genética de minha filha, o fator “Tomada de Posição” veio resgatando meu avô e minha mãe - e de alguma forma - Camila se espelhava na figura materna quando o quesito era uma “Briga por Direitos”. Da figura paterna Camila assimilou a total “falta de preconceitos”, não se importando com modelos pré-concebidos.

Dia 02 de Fevereiro - em pleno Carnaval, que ela adorava - fez dois anos que não a vejo fisicamente. Hoje, dois anos e trinta e nove dias que não ouço sua voz. Sinto saudades de minha companheira fiel que tinha a perfeita noção das desigualdades sociais, praticava a fraternidade e sempre foi combativa.

Mimi era delicada como uma rosa, mas não costumava engolir sapos. Caso minha “rosa” precisasse, sabia mostrar os espinhos de forma firme e educada.

Todo esse preâmbulo - acredito ser uma forma de mostrar ao leitor - que quando defendo direitos, seja lá qual for, faço por convicção e por respeito aos códigos de conduta passados por minha ascendência.

Mas vejam bem... Minha família no Rio de Janeiro, é muito pequena.

Considero inclusive “família”, amigos que durante muitos anos compartilhei alegrias, angústias, tempos inesquecíveis e momentos dificílimos. São pessoas que muitas das vezes, pensam e agem de maneira completamente oposta a minha. Porém, as tenho no coração, pois nos piores momentos estavam juntinho à mim.


O que tem isso a ver com meus posicionamentos diante de questões como: Salário Digno para Militar Estadual, Melhores Condições de Trabalho para os mesmos, Contra liberação do uso de Drogas (ficando indignada com a “MARCHA DA MACONHA”), Contra o Aborto, a favor da Adoção de Crianças por Casais Homossexuais Estáveis, e tantas outras opiniões que externo?
Ah... Tem muito haver...


Saber que você tem além da família, uma quantidade de amigos que na realidade não concordam com você, é um tanto incômodo. Se não consigo convencer aos que estão ao meu redor, como convencer aos outros? Ah! Mas por alguma razão, por vezes convenço pessoas não próximas à mim... Isto é incômodo e instigante.

INCÔMODO:
Saber que sua voz produz eco em alguém que você não conhece e jamais viu antes , e ao mesmo tempo ser combatida com o “silêncio desaprovador” ou com a “indiferença” de quem você anseia aprovação. Isto é um tanto constrangedor.

INSTIGANTE:
Poder divulgar e difundir suas idéias, e receber de volta em forma de comentário, artigo ou outro meio de comunicação, a admiração e o respeito de quem só a conhece pelas teses defendidas. Compartilhar idéias é muito bom e instigante.

Fiquei fora da Campanha por Melhores Salários e Condições Dignas de Trabalho dos Militares Estaduais por um pequeno espaço de tempo, face a questões meramente pessoais.

Existem momentos necessários, em que curto saudades de minha Mimi. Daí, fico um tanto reclusa e monossilábica.

Inclusive tenho sido cobrada pela ausência de posicionamento sobre o Movimento Salarial dos Militares Estaduais. Da mesma forma recebo emails parabenizando minha “postura de recuo”.

Mas que “postura de recuo”? Apenas estava com muitas saudades de Camila!

Alguns amigos acreditam que desisti de escrever sobre o tema. Não! De maneira alguma!

Os Militares Estaduais a cada dia, passam necessidades junto às suas famílias.

Está faltando COMIDA na mesa do Policial e do Bombeiro do Estado do Rio de Janeiro.

Está faltando tratamento digno, àqueles que saem para trabalhar no enfrentamento diário da violência urbana e das catástrofes.

Está faltando RESPEITO à Família Militar Estadual: quer meus “leitores" internos gostem ou não dessa minha conclusão!


E tenho dito! Aff!

Um abraço,
CHRISTINA ANTUNES FREITAS

2 comentários:

Wanderby B. de Medeiros disse...

O texto da Sra conforta.
Obrigado.

MARIA CHRISTINA ANTUNES FREITAS disse...

Comentário moderado:

Gostaria de parabenizar as atitudes tomadas e a demonstração de Coragem e Grandeza do Sr. Coronel de Polícia PAUL, do Sr. Coronel de Polícia ESTEVES, do Sr. Major de Polícia WANDERBY e do Sr. Capitão de Polícia LUIZ ALEXANDRE..... Na minha humilde opinião, acho que estamos no caminho correto (embora não seja isso o divulgado por boa parte da mídia) que têm os seus interesses próprios em divulgar o contrário da realidade em que estamos vivendo.
E bem verdade que as idéias se divergem (como foi mostrado na referida reunião), mais acho que o objetivo final deve, ou melhor, com certeza será atingido, talvez o mais breve do muitos possam imaginar.
Nesse momento em que estamos vivendo, considero ser de grande valia para que nós possamos realmente identificar e distinguir os VERDADEIROS “MOCINHOS”.......
Considero que o momento é de unirmos as forças.
JUNTOS SOMOS FORTES!!!!!!!!!!
..........
Otacílio

Sr. Otacílio, moderei o seu comentário, pois caso contrário poderia ser entendido como se eu, concordasse com a nominação negativa de pessoas.
Agradeço a leitura do meu Blog!
CHRISTINA ANTUNES FREITAS