quarta-feira, 9 de julho de 2008

CARTA DOS BARBONOS - ANO I - CEL HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA

Abaixo, transcrevo texto do Blog do Cel. Paulo Ricardo Paúl, que dentre suas considerações, expõe o artigo do Coronel Hildebrando Quintas ESTEVES Ferreira, na ocasião em que se completava 1 ano da CARTA DOS BARBONOS.
Abaixo o texto do Cel. Paúl, e em seguida o artigo do Coronel Esteves, grifado em azul!


"Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

CARTA DOS CORONÉIS BARBONOS - ANO I - CORONEL HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA
Cidadãos brasileiros, a Carta dos Coronéis Barbonos completa neste dia 3 de julho de 2008, um ano de sua divulgação.

A leitura atenta da carta pode oferecer respostas ao momento de insegurança pública que vivenciamos no Estado do Rio de Janeiro, sobretudo considerando que nenhum dos objetivos institucionais propostos ao poder político foi concretizado.

O documento marcou uma nova realidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando um grupo de CORONÉIS DE POLÍCIA - exercendo a sua responsabilidade de LÍDERES da instituição - e que ocupavam as funções mais relevantes de assessoramento ao Comando Geral, bradaram um grito de socorro direcionado à sociedade fluminense e ao poder político para o solucionamento das mazelas da instituição e da segurança pública.

A Carta dos Barbonos foi referendada pela maioria dos Coronéis da ativa da Policia Militar e marcou um momento em que os INTERESSES INSTITUCIONAIS sobrepujaram os INTERESSES PESSOAIS.

A lamentar o fato de que esse rarissimo momento de união dos Coronéis tenha sido efêmero e a situação logo tenha se revertido aos primeiros clarões e os INTERESSES PESSOAIS tenham voltado a preponderar como historicamente ocorre na corporação, com sérios danos à Polícia Militar e principalmente, aos homens e mulheres de bem que integram essa bicentenária corporação e arriscam a sua vida diariamente em defesa do cidadão e da cidadania.

E aproveito para lembrar que no dia 14 de julho de 2008 ocorrerá o primeiro aniversário do Ato Cívico realizado pelos 40 da Evaristo, na praia de Copacabana, um ato pelo resgate da cidadania do Policial Militar através da concessão de salários dignos e adequadas condições de trabalho. O grupo dos 40 da Evaristo foi formado por Oficiais e por Praças idealistas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar que realizaram atos cívicos ordeiros e pacíficos para sensibilizar o povo fluminense sobre a situação vivenciada pelos heróis sociais - os Policiais Militares e os Bombeiros Militares.

Cidadão brasileiro, Policiais Militares e Bombeiros Militares - Oficiais e Praças - têm alertado à sociedade fluminense e ao poder político sobre a gravidade da situação e o silêncio diante de nossas pretensões tem sido a resposta, apesar do agravamento constante da crise.

Portanto, não nos culpem!

Não atribuam a nós os efeitos deletérios da omissão política de anos, que não valoriza e contribui sobremaneira para a desqualificação dos profissionais de segurança pública.

Profissionais que precisam se desgastar fisica e emocionalmente no "bico" para prover o sustento de seus familiares, resistindo bravamente às facilidades da corrupção endêmica do "estado paralelo", que como mestástase se espalha por todo o organismo social.

Nós denunciamos alguns dos muitos problemas e continuamos na luta para reverter esse quadro, pois DESISTIR não faz parte do nosso vocabulário, nem de nossas vidas.

Não somos políticos, somos profissionais que têm o dever de prestar o melhor serviço público possível à sociedade fluminense, que clama por ordem e segurança, cansada de perder seus filhos para a violência que nos envolve e nos sufoca.

O CORONEL ESTEVES - um dos melhores exemplos de idealismo, destemor, honestidade e competência da história da Polícia Militar - escreveu o artigo que transcrevo a seguir sobre o primeiro aniversário da Carta dos CORONÉIS BARBONOS.


PRIMEIRO ANIVERSÁRIO
CARTA DOS BARBONOS
Hildebrando Quintas ESTEVES Ferreira
CORONEL de Polícia


"A exposição dos problemas existentes na policia, já há muito vem sendo feita por pesquisadores e estudiosos da segurança sem que se consiga o devido eco na sociedade. O exemplo disso é que nos idos de 70, Virgilio Luiz Donnici, em seu livro: “A Criminalidade no Brasil: meio milênio de repressão” já elencava quatorze itens que, baseado em seus estudos, necessitavam urgente reformulação para a melhoria da Policia, dentre os quais, cito:

1 – “Salários insuficientes e baixos;
2 – Ausência de uma profissionalização policial porque hoje o policial tem a Polícia como bico;
3 – Ausência de uma deontologia policial;
4 – Ausência de condições para o trabalho policial; dentre outras.

Recordando o que já foi dito por muitos, em face da importância de não permitir que caia no esquecimento, mesmo sob o risco de tornar-me chato e enfadonho, sigo reportando-me ao dia 03 de julho de 2007, quando surgia na mídia um grupo de Coronéis denominados Coronéis Barbonos que, através da Carta dos Barbonos, denominada “PRO LEGE VIGILANDA” (Para a Vigilância da Lei), elencavam doze itens que os mesmos julgavam necessários reformular para melhorar a Policia Militar e o serviço por ela prestado.
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Neste histórico documento, encaminhado ao Comandante Geral da PMERJ, Secretário Estadual de Segurança Pública e Governador do Estado, além é claro, da sociedade civil através da mídia, o grupo de Coronéis buscava levar às autoridades os problemas que mais afligiam a Corporação naquele momento, com o fito de melhorar a qualidade do serviço prestado pela Polícia e como conseqüência a melhoria no atendimento a comunidade e a otimização da Segurança Pública de nosso Estado.
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A Carta dos Barbonos com seus doze itens, como se vê, não trazia novidade em seu conteúdo, pois cientistas sociais, pesquisadores e estudiosos já apresentavam os óbices. Não, não era a exposição dos problemas a inovação, mas o fato de tal exposição ter sido feita por integrantes do aparelho policial, na busca de melhorar a qualidade de vida dos profissionais e conseqüentes aperfeiçoamentos na assistência ao cidadão.
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Iniciava-se uma nova era, onde profissionais que, vivenciando os transtornos ao exercício, corajosamente apresentavam às autoridades e ao público, suas dificuldades, na tentativa de encontrar apoio para solucioná-las.
Esboçavam um protótipo de “Política de Segurança Pública”.
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O resultado deste embrionário projeto: exonerações, perseguições políticas, tentativa de desmoralização alcunhando-os de traidores da Instituição. Isso mesmo, os que abriram mão de tudo em prol do que julgavam melhor para a PMERJ foram, pelos que se assenhorearam do poder e das gratificações, hostilizados e taxados de inimigos da Corporação.
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Valores subjugados e corrompidos. Dura realidade.
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Um ano decorrido e a sociedade ainda aquiesce esta inversão. Acolhe, por omissão, a Insegurança Pública reinante em nosso Estado.
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Está na hora de cobrar do Estado, tudo o que vem sendo muito bem pago pelos contribuintes, através de inúmeros e altíssimos impostos e lembrar que, portanto, não estariam fazendo favor e sim cumprindo com sua obrigação; esta na hora de exercer a cidadania tão decantada e não praticada. Quando a sociedade entender a necessidade da cobrança do que lhe é de direito, não importando o “fenômeno” de ainda haver o cidadão que não tenha sido alvo dessa violência deflagrada em nosso Estado, então caminharemos para frente e não veremos os demais Estados da Federação evoluindo, enquanto nem mais estacionados estamos, mas sim, de marcha à ré, ladeira abaixo".


Leia a Carta dos Barbonos e tire as suas conclusões:
http://celprpaul.blogspot.com/2007/09/pro-lege-vigilanda-para-vigilncia-da.html
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Que possamos refletir sobre as palavras do Coronel Paúl e Coronel Esteves !
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A CHAMA CONTINUA ACESA!
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Um abraço,
CHRISTINA ANTUNES FREITAS

7 comentários:

Anônimo disse...

os praças na rua começam a fazer uma silenciosa Operação-Padrão Vampeta ("Fingem que nos pagam, a gente finge que trabalha").
Em muitas áreas da cidade, a PM já não vai mais subir morro ou se meter em situação de risco ou tiroteio. E nas mesmas áreas, a promessa é de não fazerem mais abordagens.

Anônimo disse...

As gratificações de determinados cargos de coronel na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro receberam significativo reajuste.
O "DG", por exemplo, passou para R$7500,00.
A gratificação destinada ao cargo de comandante geral passou para algo em torno de R$10.000,00 (além do salário de coronel).
Com isso, os vencimentos de um coronel ocupante do cargo de comandante intermediário passaram a representar algo em torno de 1500 % do que ganha um soldado da mesma PM.
Se o parâmetro for o cargo máximo da Corporação, a discrepância passa a ser superior a 1750%.
Os vencimentos líquidos de um soldado da PM giram em torno de estapafúrdios R$850,00!

Postado por Wanderby B. de Medeiros às 7:38 AM

Anônimo disse...

Tico Santa Cruz: Todos somos culpados


Cantor e compositor


Rio - Vamos analisar com calma a situação. Mais uma vez, a sociedade vai dormir com o sangue de um inocente escorrendo por seus dedos. O governador afirma categoricamente que os policiais que mataram o menino João são despreparados. Acrescentaria os seguintes ingredientes: mal pagos, mal-armados, psicologicamente abalados, mal-educados, envolvidos pelo medo cego que atormenta os cariocas, fardados ou não. A cena é típica de animais agindo por instinto, tomados pelo pavor, e esse sentimento é inimigo da razão.

Quando se fez necessário autocontrole para agir numa situação de risco, percebemos que damos poder a indivíduos sem vocação para a atividade policial. Serão presos, execrados e esquecidos, até que surja novo caso de clamor público, que mobilizará protestos da apática e preguiçosa sociedade.

Observando por esta ótica, por que então não valorizamos os bons policiais? Por que não oferecemos melhores condições de trabalho, melhores salários para que possamos cobrar atitudes mais inteligentes e coerentes?

Não estou aqui para defender PM e sim para salientar que fica complicado exigir qualidade onde não se oferece o mesmo. A quem interessa o modelo de sociedade, no qual políticos ganham salários milionários e policiais, médicos, e professores entre outros servidores importantes estão jogados às traças.

Temos uma cidade que é o reflexo de nosso comprometimento com o que é público, ou seja, decadente. Conseguem perceber que estão todos perdidos? Que aqueles homens agiram exatamente como tantos por aqui desejam, atirando para matar, movidos pelo ódio e cegos de medo e vingança. Lavem as mãos com o sangue de mais um inocente. Todos somos culpados.

Anônimo disse...

Mulheres de militares bloqueiam saída de garagens de ônibus e param capital
14/7/2008 - 08:24
Porto Velho, Rondônia - O caos na segurança pública se estendeu, nesta segunda-feira, ao transporte coletivo. A cidade amanheceu parada. As mulheres de policiais militares e bombeiros bloquearam, nesta segunda-feira, a entrada das garagens das empresas de ônibus coletivo de Porto Velho. Milhares de pessoas estão nas paradas, mas os ônibus não estão circulando. As mulheres atribuem o recrudescimento do movimento à "intransigência, arrogância e desrespeito com que o governador Ivo Cassol tem tratado as corporações de policiais militares e de bombeiros militares".O governador teria chamados os PMs de "maricas" e as mulheres de "cornas".

O movimento das esposas de militares começou no último dia 7 e bloqueou a entrada dos quartéis em vários municípios. Pneus de viaturas estão sendo esvaziados e os policiais impedidos de fazer o patrulhamento. A paralisação dos transportes coletivos na capital será de 24 horas, segundo nota divulhada pelo movimento.

Confira a íntegra da nota desclarecimento divulgada nesta segunda-feira pela Associação de Mulheres:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Associação das Esposas dos Pensionistas e Familiares dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado de Rondônia – ASSESFAM

A ASSESFAM vem a público esclarecer que diante da intransigência, arrogância e desrespeito com que o Governador Ivo Narciso Cassol tem tratado as corporações de Policiais e Bombeiros Militares, o movimento iniciado na segunda-feira passada (07/07), que neste domingo 13/07 passou a contar com o apoio incondicional e irrestrito das entidades sindicais e do movimento social, irá intensificar suas ações visando sensibilizar o Sr. Cassol a abrir um canal direto de negociação, visando o atendimento da pauta de reivindicações dos Policiais e Bombeiros.

Dentre as ações que estão programadas para esta segunda-feira, está a paralisação total do transporte coletivo da Capital por 24 horas, visto que não há as mínimas condições de segurança para os ônibus trafegarem; bem como, da população estar na rua, já que a marginalidade anda agindo livremente em todos os cantos da Capital.

É importante destacar que esta radicalização, que conta com o apoio de quinze entidades sindicais, se deu por conta da forma desrespeitosa e debochada com que o governador Ivo Cassol tratou, nos últimos dias a família militar, chamando PM’s e Bombeiros de “maricas” e suas esposas de “cornas”. Além disso, em meio a maior crise na Segurança Pública do Estado, o governador, segundo informações do alto comando da PM, estava neste final de semana tranquilamente pescando em uma de suas inúmeras fazendas no interior do Estado.

Outra postura do governador, que revoltou a família militar, foi o descaso demonstrado neste sábado (12/07), quando o Sr. Cassol enviou, de uma de suas fazendas no interior do Estado, um fax exigindo a completa rendição do movimento com a desculpa de que “O Governo retomará as negociações com a Polícia Militar no dia 05 de agosto de 2008”, sem qualquer garantia de atendimento das reivindicações.

Entretanto, os trabalhadores já conhecem este “método” maquiavélico do governador, que na recente greve dos auditores fiscais impôs como condição, “para retomar as negociações”, a imediata suspensão da greve; sendo que em seguida abriu um processo de “negociação” que não atendeu nenhuma das reivindicações e, ainda por cima, aprovou em tempo recorde, em menos de 24 horas, uma Lei na sua subserviente Assembléia Legislativa, retirando a exclusividade dos Auditores Fiscais de fazerem lançamento do crédito tributário; com isso, tirando a força de um futuro movimento grevista.

Enfim, o Senhor Governador, não inspira confiança aos trabalhadores para tratar de negociações reivindicatórias; pois utiliza de “esperteza”, e de seus subservientes deputados, para retirar direitos e massacrar os servidores que ousam exercer o seu direito Constitucional de fazer campanha salarial ou realizar qualquer movimento ou greve.

Diante exposto, manifestamos nossa preocupação com os transtornos e incidentes que vierem a ser causados pela falta de diálogo; mas, infelizmente não restou alternativa aos militares, que não seja a de honrar a própria farda, mostrando ao Sr. Narciso Cassol, que a família militar não é composta de “maricas” e “cornas”; aliás, se for pra falar de problemas familiares, a família do governador tem muito mais do que se envergonhar, pois nenhum de nossos filhos foi preso pela Polícia Federal, por envolvimento em crime de “colarinho branco”.

Porto Velho-RO, 14 de julho de 2008;

ASSESFAM e Entidades que apóiam o movimento.


Autor: Tudorondonia
Fonte: NA HORA OnLINE

Alexandre de Sousa disse...

Oi Christina! Você não passou por outro blog meu, era aquele mesmo. É que ele agora está diferente e mais bonito. Seu depoimento foi ótimo, serviu como adendo ao texto que tinha escrito.

Obrigado!

Anônimo disse...

Enquanto formos "comandados" pelo sr. Governador e a "política" envolver-se no nosso meio, acredito que nunca sairemos desta.

Robelio Orcca disse...

Ocorre freqüentemnte que as Administrações das coisas públicas sejam divididas entre os parlamentares eleitos ou que ora apoiem o Governo, seja Estadual ou Federal.
Considerando o alto número de Parlamentares de má índole. Normalmente respondendo a inúmeros processos. Até mesmo por coisas simples como habilitações sendo cassadas por não terem o menor respeito as Leis de Trânsito.
É normal que as Instituições não funcionem como deveriam. Não se trata só da PMERJ, onde houver a mão de um parlamentar haverá problemas para o social.
Normalmente o que se vê são idéias brilhantes de Coronéis da PMERJ aposentados, mas nunca quando na ativa, nunca quando ainda submissos ao sistema. Como se a ordem fosse nociva ao sistema.
Quando Boris Cassoy soub quanto se gastava inultilmente por indivíduo (percapta) nas Funabens Paulistas (mais de R$ 2.000,00) ele disse que com um valor desses, daria para educar cada um deles na Suíça.
E aqui nada funciona. E nem irá funcionar porque não há interesse, parecendo mesmo que a coisa poública funcionando vá na contra-mão dos seus verdadeiros gestores, os Deputados.
O nosso sistema de eleições está perpetuando a corja no Poder, inflizmente, a cada dia menos homens dígnos estão sendo diplomados nas Assembléias Legislativas.